Crônicas de um Gângster – O feriado prolongado
Vida de criminoso às vezes é um porre. Em pleno dia do trabalho tenho que botar a mão na droga massa. Aí sempre aparece um otário pra dizer: Alguém tem que fazer o serviço sujo. E põe sujo nisso! Eu poderia ter passado o feriado assistindo o programa do João Kleber tomando aquela cerveja, mas aí chega um filho da puta e me diz que não tem mais programa do João Kleber. Eu fico puto com isso!
É nessas horas que eu dou conta que estou trabalhando demais. Essa rotina ta me matando. É corpo pra cá, corpo pra lá. Vá buscar a farinha ali, vá matar não sei quem. Isso quando não me mandam resolver algum enrosco lá no Rio. Da última vez quase me fodi feio. Um cara tava tão alucinado de ácido que quase arrancou meu olho falando que eu era um gremlim. É culpa dessa porra de sessão da tarde que fica pondo coisas na cabeça desses loucos. Maldita TV Globo!
Da próxima vez que eu for a Brasília vou pegar um desses deputados nojentos e vou por minha idéia em jogo. Quero um novo feriado, mas um que eu possa ficar em casa, o dia do gângster! Afinal, a gente merece né? Enquanto todo mundo fica tomando água de coco na praia eu to lá tomando bala. Sem dizer que se eu não perco meu feriado toda essa galera fica sem o baseadinho do fim de semana.
É isso aí! O Dia do Gângster! Não vejo a hora de poder folgar um pouco. Esquecer um pouco dessa correria de merda. Bem que minha mãe falou pra estudar, aí eu teria um empreguinho e folgava no dia do trabalho. Até criarem o meu dia! To até vendo… As criancinhas vão me olhar e dizer: Quando crescer quero ser que nem você!
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